Uma dupla decepção

Janeiro de 2010. Volto das férias no Chile, meu país natal. Trago comigo a alegria de ter realizado um sonho, o de conhecer o Deserto de Atacama. Já havia andado por lá, há alguns vários anos atrás, de carona na boléia de um caminhão que não fez questão nenhuma de parar, só mesmo atravessou a maciça aridez que lá predomina.

Dessa vez, não, houve todo um plano, uma preparação para passar vários dias em San Pedro de Atacama, uma das poucas cidades que lá se encontram, a sua capital turística. Foram três dias de carro indo e três voltando, tudo ao sabor da aventura (não tínhamos reservas em hotéis ou coisa que o valha).

Volto, como dizia, ao meu posto de trabalho e mostro o resultado dessa expedição a uma de minhas colegas, que se zanga comigo: mas o que é que você tinha que fotografar isso?! Isso, no caso, são as eleições para presidente (e não me lembro se demais cargos) que ocorreram bem no momento em que lá estávamos — e que deram vitória a Sebastián Piñera. Como se eu tivesse fugido ao meu script de turista/fotógrafo de belas paisagens.

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About Andrés Rodríguez Ibarra

Filósofo, autor de uma tese sobre a liberdade em Foucault, defendida em 2008 na USP.
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4 Responses to Uma dupla decepção

  1. Lets disse:

    que legal!

    • moacyr disse:

      Caro amigo,
      com relação às fotos, como sempre, a visão do fotógrafo é bem distinta ao do fotografado e muito mais ainda daquele que a contempla. Essas fotos, ao meu ver, trazem um misto de ceticismo e esperança de um povo que tem apenas o solo árido como forma de sobrevivência e membro permanente de suas vidas. Quanto à colega em questão, não te decepciones. Ela, com certeza (imagino eu), nunca precisou pedir a quem quer que seja por uma gota de água no chão, nunca precisou olhar para as marcas nos rostos causadas pelo implacável astro-rei, nunca viu uma mão calejada que de tão cansada, agora só se presta a suplicar pela caridade humana.
      Decepção é isso: “Acreditar que as pessoas podem mudar, podem melhorar, Pero no Mucho”
      Abraços de su hermano,
      Moacyr.

  2. Minha decepção, Moa, deu-se somente por conta do resultado da eleição. A outra, claro, que se juntou a essa, foi a decepção da minha colega com as fotos. No final, uma decepção, engraçada, anula a outra; e é assim que a arte talvez possa nos ajudar nessa difícil mas apetitosa travessia.

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