NYC (Parte II)

REMANDO NUM MAR DE BYTS

Nova York é uma cidade cujo ritmo eu custei a pegar: muito acelerado. Creio que, por um lado, por conta das telecomunicações, em especial a internet. Todo mundo anda conectado o tempo todo. Há sempre algo ocorrendo, mais além, num outro sistema nervoso. Difícil para a fotografia de rua, pois nela, o fotógrafo se oferece como um aceno do mundo não presente. Pois bem, esse mundo distante está, agora, com a rede mundial, sempre à disposição, na palma da mão de cada um e aí…, eu diria que o fotógrafo fica pra escanteio.

Mas também tem o fato de que essa cidade é um grande polo de compra de produtos por parte das dezenas de milhares de turistas que lá aportam diariamente. São pessoas que correm pra lá e cá, meio que freneticamente, no empenho de fazer o melhor negócio. Em suma, o que se tem é um cenário eletrizante, em que captar expressões, estabelecer pontes mediadas por uma lente, se torna tarefa complicada.

Para ilustrar o que digo, por meio do uso de um contraponto, remeto a uma das exposições que tive a oportunidade de ver, muito concorrida, em cartaz no Metropolitan Museum of Art. Foi uma justamente intitulada “Streets” e consistia na exibição de uma filmagem, feita a partir de um carro em movimento e numa ultra câmera lenta de alta definição, daquilo que ocorria contiguamente, com as pessoas, nas calçadas das ruas de Nova York. O artifício para que a contemplação do universo da rua – o resultado final de uma street photography, bem como o desse trabalho – venha a ocorrer, parece que tem que ser, hoje, outro, onde o movimento contínuo do fotógrafo também se dê, em conjunto com o seu estar num “além” quase invisível.

Mas tal aparato, por seu turno, tão robusto, impede o fotógrafo, de se adaptar a essa nova condição e o impede também de entrar nos lugares, de abrir portas a fim de checar o que acontece lá dentro, nesses templos do consumo. Como tudo é feito a partir do carro, também o movimento vertical do olhar se limita, o horizontal se torna  o plano monocórdico, o que está acima e o que está abaixo deixa de existir: uma perda e tanto.

Os cliques do fotógrafo convencional, nessas condições, têm que ser quase a queima-roupa, e tão rápidos no levantar e abaixar a câmera como para deixar a dúvida no ar sobre se, de fato, se tirou ou não uma foto. Caso contrário, quanto tempo seria necessário para explicar o por que, para que, para onde é que vai essa imagem no circuito que está logo ali, prestes a tuitar ou vibrar ou se acender no bolso ou bolsa de todos? Novaiorquinos são rápidos também no quesito escândalo em público, não demoram, percebi, em passar da mais gelada indiferença ao mais íntimo do palavreado ofensivo. Coisa, talvez, de quem está operando mais de um sistema nervoso ao mesmo tempo.

O Central Park é, nesse quadro hiperestésico, de fundamental importância, assim como alguns dos vários squares, o harbour também. Mas o Park… nele tudo se desacelera. Ilha dentro da ilha, fornece a esse todo o equilíbrio sem o qual, lá, tenho a impressão, mal se respiraria – e isso nada tendo a ver com fotossíntese.

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About Andrés Rodríguez Ibarra

Filósofo, autor de uma tese sobre a liberdade em Foucault, defendida em 2008 na USP.
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