NYC (parte final)

PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS

Ao todo, Nova York me acolheu por uma semana. Não fui no Queens, nem no Brooklyn, fiquei mais no miolo das ruas e avenidas que se cruzam ao sul do Central Park. Frequentei os principais museus de arte, algumas galerias de Tribeca e Soho, o Centro Internacional de Fotografia; e comi muito bem, evitando os fast foods que são uma marca não só nova-iorquina, mas norte-americana – se bem que teria adorado comer um hot-dog de rua, ou um dos apetitosos kebabs para os quais se faz fila, mas a minha intolerância ao glúten não permitiu que me desse esse luxo. As delicatessens da cidade também são coisa de deixar qualquer guloso como eu maluco. A comida é certamente algo que te faz estabelecer uma relação de carinho, ou, ao menos, de maior proximidade com um lugar.

Contudo, eu estava em Nova York com um propósito fotográfico. Estava a fim, também, de ver fotografia. E posso dizer que fiz duas descobertas. A primeira, de um fotógrafo que, tendo fotografado, nas décadas de 1960 e 1970, a América e, em especial, Nova York, se somou ao meu panteão, onde já constavam William Klein, Diane Arbus, Bruce Davidson, Cartier-Bresson, Miguel Rio Branco, Cláudio Edinger e outros: Garry Winogrand. Dos diversos livros que folheei na incrivelmente rica e compacta livraria do Centro Internacional de Fotografia, o seu foi o que mais me impactou, um trabalho clássico em P&B, dono de imenso humor e total devoção ao espírito das ruas.

O outro trabalho que me tocou muito foi o de William Eggleston, exposto no Metropolitan. A ideia de que se pode aplicar àquilo que se fotografa o princípio democrático mexeu comigo: tudo é interessante, ou pode sê-lo, inclusive um velocípede à espera ingrata do seu condutor ausente – ou uma marquise a dividir elegantemente o que se move na horizontal daquilo que se ergue em réplica rumo ao céu. Outro dado interessante a respeito desse artista: ele só fotografa algo um única vez. Nunca faz mais de uma foto de um mesmo objeto, pessoa ou situação. É alguém que tem um protocolo, cuja aplicação resulta em algo significativo – e totalmente na contramão do furor reprodutivo de que a fotografia tende a – talvez desde o seu berço enquanto técnica – se revestir.

Por último, é bem possível que tudo o que vi de pintura contemporânea, de escultura e de instalações tenha mantido acesas em mim questões sobre o estado atual do discurso fotográfico, tema sobre o qual tenho lido ultimamente. A ideia da morte do famoso punctum barthesiano, tal como ocorre na fotografia de Jeff Wall, por exemplo, em que se adota o princípio compositivo do all over; algo assim ocorreu-me quando pisei, a certa altura, no Times Square.

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About Andrés Rodríguez Ibarra

Filósofo, autor de uma tese sobre a liberdade em Foucault, defendida em 2008 na USP.
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