Belém – Parte I

UMA MÃE FAZ FALTA

Por que Belém? Eis a pergunta que me foi feita algumas vezes por interlocutores locais. Alguma coisa a ver com o Círio de Nazaré, que iria acontecer naquele fim de semana, ou simplesmente era coincidência eu estar por lá por ocasião dessa festa impressionante? Eu tentava responder, mas a cada hora saia uma coisa diferente, talvez conforme o interlocutor, talvez porque nem eu mesmo sabia direito qual era o motivo: porque é uma das poucas capitais que eu ainda não conhecia, porque se trata de um polo reconhecidamente de excelência na fotografia (e o “visual” da cidade poderia teria um papel na geração dessa excelência), porque Foucault esteve por lá e se encantou, porque a comida de lá é considerada a melhor do Brasil, porque lá moram dois amigos que eu tenho em alta conta e queria conhecer melhor, porque tem o mercado mais famoso, porque lá chove todo dia, porque isso, porque aquilo.

A questão é que tendo lá ficado por pouco mais de uma semana e ao voltar ao meu cotidiano dei-me conta que estive na mais suave das cidades. Sim o calor é grande, era pra que todos enlouquecessem, mas eis que a chuva cai aliviando o bafo e eis que o vento sopra, vindo do rio. É um primeiro equilíbrio, natural ou, talvez, divino.

Depois, tem um povo que, além de bonito fisicamente, tem um brio que se justifica, pois há esmero em tudo o que se faz, indo da comida (de fato maravilhosa e muito variada) à arte que por lá é feita (acontecia o festival Arte Pará, de enorme envergadura), passando, é obvio, pela própria festa, que reúne, todo ano, mais de dois milhões de pessoas, sem que se registrem óbitos ou incidentes de maior gravidade. Há, também, agência, engenho, o que fica logo evidente na primeira volta dada no Ver-o-Peso e seus arredores: não topei com um pedinte sequer em todas as minhas andanças.

Há um responsável por isso, por essa suavidade? Por certo que sim, diriam quase todos os belenenses a quem fosse feita uma tal pergunta: a Nossa Senhora, a Virgem de Nazaré. Eu, quase me convenço disso e meio que lamento não ter conhecido Belém há mais tempo. Talvez, se isso tivesse acontecido, teria eu dado mais atenção, nas aulas de sociologia, ao Durkheim do que ao Foucault.


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About Andrés Rodríguez Ibarra

Filósofo, autor de uma tese sobre a liberdade em Foucault, defendida em 2008 na USP.
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6 Responses to Belém – Parte I

  1. Valéria Agostinho Carneiro disse:

    Bom texto e boas fotos, Andrés. aliás qunto vc pagou para aquelas garças pousarem/posarem p você? belas criaturas matemáticas!

    um bacio, Valéria Carneiro.

  2. Selma disse:

    Acho interessante o seu jeito de ver, sentir e revelar as coisas, Andrés! Parabéns!! Keep walking!!!

  3. luiz carlos de farias franca disse:

    Oi Andrés, que energia boa! Belém tem tudo belo; poderia se chamar Belolém. Senti falta das cuias de tacacá ; mas no meio de tanta gente, as cuias se perderam,não é? É Verdade: “O BRASIL NÃO CONHECE O BRASIL! ”
    Abraço.
    Bab.

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